Os Ensinamentos Secretos de Todas as Eras
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8. O Sol, uma divindade universal
A adoração ao sol foi uma das formas mais antigas e naturais de expressão religiosa. As complexas teologias modernas são meramente desdobramentos e ampliações dessa crença ancestral simples. A mente primitiva, reconhecendo o poder benéfico do astro solar, o adorava como representante da Divindade Suprema. Sobre a origem do culto ao sol, Albert Pike faz a seguinte declaração concisa em sua obra “Morals and Dogma”: “Para eles [os povos originários], ele [o sol] era o fogo inato dos corpos, o fogo da Natureza. Autor da Vida, do calor e da ignição, ele era para eles a causa eficiente de toda a geração, pois sem ele não havia movimento, existência ou forma. Ele era para eles imenso, indivisível, imperecível e onipresente. Era a necessidade de luz e de sua energia criativa que era sentida por todos os homens; e nada lhes era mais temível do que sua ausência. Suas influências benéficas causaram sua identificação com o Princípio do Bem; e o BRAHMA dos hindus, e MITHRAS dos persas, e ATHOM, AMUN, PHTA e OSÍRIS dos egípcios, o BEL dos caldeus, o ADONAI dos fenícios, o ADONIS e APOLO dos gregos, tornaram-se meras personificações do Sol, o Princípio regenerador, imagem do Bem.” aquela fecundidade que perpetua e rejuvenesce a existência do mundo.”
Entre todas as nações da antiguidade, altares, montes e templos eram dedicados ao culto do astro-rei. As ruínas desses lugares sagrados ainda permanecem, entre as quais se destacam as pirâmides de Yucatán e do Egito, os montes em forma de serpente dos indígenas americanos, os zicarps da Babilônia e da Caldeia, as torres redondas da Irlanda e os maciços anéis de pedra bruta na Grã-Bretanha e na Normandia. A Torre de Babel, que, segundo as Escrituras, foi construída para que o homem pudesse alcançar Deus, provavelmente era um observatório astronômico.
Muitos sacerdotes e profetas da antiguidade, tanto pagãos quanto cristãos, eram versados em astronomia e astrologia; seus escritos são melhor compreendidos quando lidos à luz dessas ciências antigas. Com o crescimento do conhecimento do homem sobre a constituição e a periodicidade dos corpos celestes, princípios e terminologia astronômicos foram introduzidos em seus sistemas religiosos. Os deuses tutelares receberam tronos planetários, e os corpos celestes foram nomeados de acordo com as divindades a eles atribuídas. As estrelas fixas foram divididas em constelações, e através dessas constelações vagavam o Sol e seus planetas, estes últimos com seus satélites.
A TRINDADE SOLAR O sol, supremo entre os corpos celestes visíveis aos astrônomos da antiguidade, foi atribuído ao mais elevado dos deuses e tornou-se símbolo da suprema autoridade do próprio Criador. De uma profunda reflexão filosófica sobre os poderes e princípios do sol surgiu o conceito da Trindade, tal como é compreendido no mundo atual. O princípio de uma Divindade Trina não é peculiar à teologia cristã ou mosaica, mas constitui parte integrante do dogma das maiores religiões, tanto da antiguidade quanto da modernidade. Os persas, hindus, babilônios e egípcios tinham suas Trindades. Em todos os casos, estas representavam a forma tríplice de uma Suprema Inteligência. Na Maçonaria moderna, a Divindade é simbolizada por um triângulo equilátero, cujos três lados representam as manifestações primárias do Eterno, que é representado por uma pequena chama, chamada pelos hebreus de Yod ( Y ).
Jakob Böhme, o místico teutônico, chama a Trindade de As Três Testemunhas, por meio das quais o Invisível se torna conhecido no universo visível e tangível.
A origem da Trindade é óbvia para qualquer um que observe as manifestações diárias do sol. Este orbe, sendo o símbolo de toda a Luz, possui três fases distintas: nascer, meio-dia e pôr do sol. Os filósofos, portanto, dividiram a vida de todas as coisas em três partes distintas: crescimento, maturidade e decadência. Entre o crepúsculo da aurora e o crepúsculo da noite está o meio-dia, de glória resplandecente. Deus Pai, o Criador do mundo, é simbolizado pela aurora. Sua cor é azul, porque o sol que nasce pela manhã está envolto em uma névoa azul. Deus Filho, o Iluminador enviado para testemunhar de Seu Pai perante todos os mundos, é o globo celeste ao meio-dia, radiante e magnífico, o Leão de Judá de juba, o Salvador de cabelos dourados do mundo. Amarelo é a Sua cor e Seu poder é infinito. Deus, o Espírito Santo, é a fase do pôr do sol, quando o orbe do dia, envolto em um vermelho flamejante, repousa por um instante na linha do horizonte e então desaparece na escuridão da noite, vagando pelos mundos inferiores para, mais tarde, ressurgir triunfante do abraço das trevas.
Para os egípcios, o sol era o símbolo da imortalidade, pois, embora morresse a cada noite, renascia a cada amanhecer. O sol não só possui essa atividade diurna, como também realiza sua peregrinação anual, durante a qual percorre sucessivamente as doze casas celestes, permanecendo em cada uma por trinta dias. A isso se soma um terceiro percurso, chamado precessão dos equinócios, no qual retrocede ao redor do zodíaco, passando pelos doze signos, à razão de um grau a cada setenta e dois anos.
A respeito da passagem anual do Sol pelas doze casas celestes, Robert Hewitt Brown, 32°, afirma o seguinte: “Dizia-se, em linguagem alegórica, que o Sol, ao percorrer o seu caminho entre essas ‘criaturas vivas’ do zodíaco, assumia a natureza do signo em que entrava ou triunfava sobre ele. Assim, o Sol se tornava um Touro em Touro, sendo adorado como tal pelos egípcios sob o nome de Ápis, e pelos assírios como Bel, Baal ou Bul. Em Leão, o Sol se tornava um matador de leões, Hércules, e um arqueiro em Sagitário. Em Peixes, ele era um peixe — Dagon, ou Vishnu, o deus-peixe dos filisteus e hindus.”
Uma análise cuidadosa dos sistemas religiosos do paganismo revela muitas evidências de que seus sacerdotes serviam à energia solar e que sua Divindade Suprema era, em todos os casos, a personificação dessa Luz Divina. Godfrey Higgins, após trinta anos de pesquisa sobre a origem das crenças religiosas, opina que “Todos os deuses da antiguidade se resolviam no fogo solar, às vezes como o próprio Deus, ou às vezes como um emblema ou shekinah desse princípio superior, conhecido pelo nome de Ser criador ou Deus.”
Os sacerdotes egípcios, em muitas de suas cerimônias, usavam peles de leão, símbolos do astro solar, devido ao fato de o Sol ser exaltado, dignificado e, muito favoravelmente, posicionado na constelação de Leão, que ele rege e que, em tempos passados, foi a pedra angular do arco celeste. Hércules também é uma divindade solar, pois, assim como esse poderoso caçador realizou seus doze trabalhos, o Sol, ao percorrer as doze casas do zodíaco, realiza, durante sua peregrinação, doze trabalhos essenciais e benevolentes para a humanidade e para a Natureza em geral. Hércules, assim como os sacerdotes egípcios, usava pele de leão como cinto. Sansão, o herói hebreu, como o próprio nome indica, também é uma divindade solar. Sua luta com o leão da Núbia, suas batalhas contra os filisteus, que representam os Poderes das Trevas, e seu memorável feito de levar os portões de Gaza, todos se referem a aspectos da atividade solar. Muitos povos antigos tinham mais de uma divindade solar; Na verdade, acreditava-se que todos os deuses e deusas participavam, pelo menos em parte, do brilho do sol.
O sol nascendo sobre as costas do leão ou, astrologicamente, nas costas do leão, sempre foi considerado um símbolo de poder e domínio. Um símbolo muito semelhante ao acima aparece na bandeira da Pérsia, cujo povo sempre foi adorador do sol. Reis e imperadores frequentemente associaram seu poder terrestre ao poder celestial do astro solar e adotaram o sol, ou uma de suas bestas ou aves simbólicas, como seu emblema. Veja-se o leão do Grande Mogol e as águias de César e Napoleão.
Os ornamentos dourados usados pelo sacerdócio das diversas religiões mundiais são, mais uma vez, uma sutil referência à energia solar, assim como as coroas dos reis. Na antiguidade, as coroas possuíam várias pontas que se estendiam para fora, como os raios do sol, mas o convencionalismo moderno, em muitos casos, removeu essas pontas ou as curvou para dentro, reunindo-as e colocando um globo ou cruz no ponto de encontro. Muitos dos antigos profetas, filósofos e dignitários carregavam um cetro, cuja extremidade superior ostentava uma representação do globo solar circundado por raios emanantes. Todos os reinos da Terra eram apenas cópias dos reinos celestiais, e os reinos celestiais eram melhor simbolizados pelo reino solar, no qual o sol era o governante supremo, os planetas seu conselho privado e toda a Natureza os súditos de seu império.
Este símbolo, que aparece sobre os pilones ou portões de muitos palácios e templos egípcios, é emblemático das três pessoas da Trindade egípcia. As asas, as serpentes e o globo solar são as insígnias de Amon, Rá e Osíris.
Muitas divindades foram associadas ao sol. Os gregos acreditavam que Apolo, Baco, Dioniso, Sabázio, Hércules, Jasão, Ulisses, Zeus, Urano e Vulcano compartilhavam dos atributos visíveis ou invisíveis do sol. Os noruegueses consideravam Balder, o Belo, uma divindade solar, e Odin é frequentemente associado ao astro celeste, especialmente por causa de seu único olho. Entre os egípcios, Osíris, Rá, Anúbis, Hermes e até mesmo o misterioso Amon apresentavam semelhanças com o disco solar. Ísis era a mãe do sol, e até mesmo Tifão, o Destruidor, era considerado uma forma de energia solar. O mito solar egípcio finalmente se concentrou na figura de uma divindade misteriosa chamada Serápis. As duas divindades centro-americanas, Tezcatlipoca e Quetzalcoatl, embora frequentemente associadas aos ventos, eram também, sem dúvida, deuses solares.
Na Maçonaria, o sol possui muitos símbolos. Uma expressão da energia solar é Salomão, cujo nome SOL-OM-ON é o nome da Luz Suprema em três idiomas diferentes. Hiram Abiff, o Chiram (Hiram) dos Caldeus, também é uma divindade solar, e a história de seu ataque e assassinato pelos rufiões, com sua interpretação solar, pode ser encontrada no capítulo A Lenda Hiramiana. Um exemplo marcante da importância do sol nos símbolos e rituais da Maçonaria é dado por George Oliver, DD, em seu Dicionário de Maçonaria Simbólica, como segue: “O sol nasce no leste, e no leste é o lugar do Venerável Mestre. Assim como o sol é a fonte de toda luz e calor, o Venerável Mestre deve animar e aquecer os irmãos para o seu trabalho. Entre os antigos egípcios, o sol era o símbolo da providência divina.” Os hierofantes dos Mistérios eram adornados com muitas insígnias emblemáticas do poder solar. Os raios de sol bordados em dourado nas costas das vestes do sacerdócio católico significam que o sacerdote também é um emissário e representante de Sol Invictus.
CRISTIANISMO E O SOL Por razões que sem dúvida consideraram suficientes, aqueles que registraram a vida e os feitos de Jesus acharam conveniente transformá-lo em uma divindade solar. O Jesus histórico foi esquecido; quase todos os incidentes relevantes registrados nos quatro Evangelhos têm suas correlações nos movimentos, fases ou funções dos corpos celestes.
Entre outras alegorias emprestadas pelo cristianismo da antiguidade pagã, está a história do belo deus Sol de olhos azuis, com seus cabelos dourados caindo sobre os ombros, vestido da cabeça aos pés de branco imaculado e carregando nos braços o Cordeiro de Deus, símbolo do equinócio da primavera. Este belo jovem é uma composição de Apolo, Osíris, Orfeu, Mitra e Baco, pois possui certas características em comum com cada uma dessas divindades pagãs.
Os filósofos da Grécia e do Egito dividiam a vida do Sol em quatro partes ao longo do ano; por isso, simbolizavam o Homem Solar por quatro figuras diferentes. Quando nascia no solstício de inverno, o Deus Sol era simbolizado como um bebê dependente que, de alguma forma misteriosa, conseguira escapar dos Poderes das Trevas que buscavam destruí-lo enquanto ainda estava no berço do inverno. O Sol, fraco nessa época do ano, não tinha raios dourados (nem mechas de cabelo), mas a sobrevivência da luz através da escuridão do inverno era simbolizada por um único fio de cabelo que adornava a cabeça da Criança Celestial. (Como o nascimento do Sol ocorria em Capricórnio, era frequentemente representado sendo amamentado por uma cabra.)
No equinócio da primavera, o Sol havia se tornado um belo jovem. Seus cabelos dourados caíam em cachos sobre os ombros e sua luz, como disse Schiller, estendia-se a todas as partes do infinito. No solstício de verão, o Sol se transformava em um homem forte, de barba espessa, que, no auge da maturidade, simbolizava o fato de que a Natureza, nesse período do ano, é mais forte e fértil. No equinócio de outono, o Sol era retratado como um homem idoso, caminhando com as costas curvadas e os cabelos brancos rumo ao esquecimento da escuridão do inverno. Assim, doze meses foram atribuídos ao Sol como a duração de sua vida. Durante esse período, ele circulava os doze signos do zodíaco em uma magnífica marcha triunfal.
Quando chegava o outono, ele entrava, como Sansão, na casa de Dalila (Virgem), onde seus raios eram bloqueados e ele perdia sua força. Na Maçonaria, os cruéis meses de inverno são simbolizados por três assassinos que buscavam destruir o Deus da Luz e da Verdade.
A vinda do sol era saudada com alegria; o tempo de sua partida era visto como um período a ser reservado para tristeza e infelicidade. Este glorioso e radiante orbe do dia, a verdadeira luz “que ilumina todo homem que vem ao mundo”, o supremo benfeitor, que ressuscitou todas as coisas dentre os mortos, que alimentou as multidões famintas, que acalmou a tempestade, que após morrer ressuscitou e restaurou todas as coisas à vida — este Espírito Supremo de humanitarismo e filantropia é conhecido na cristandade como Cristo, o Redentor dos mundos, o Unigênito do Pai, o Verbo que se fez carne e a Esperança da Glória.
O ANIVERSÁRIO DO SOL Os pagãos reservavam o dia 25 de dezembro como o aniversário do Homem Solar. Eles se alegravam, festejavam, reuniam-se em procissões e faziam oferendas nos templos. A escuridão do inverno havia terminado e o glorioso filho da luz retornava ao Hemisfério Norte. Com seu último esforço, o antigo Deus Sol havia destruído a casa dos filisteus (os Espíritos das Trevas) e aberto caminho para o novo sol, que nascera naquele dia das profundezas da terra em meio às bestas simbólicas do submundo.
A respeito desta época festiva, um mestre em artes anônimo do Balliol College, Oxford, em seu tratado acadêmico, ” A Humanidade: Sua Origem e Destino “, afirma: “Os romanos também tinham seu festival solar e seus jogos circenses em honra ao nascimento do deus do dia. Ocorria no oitavo dia antes das calendas de janeiro, ou seja, em 25 de dezembro. Servius, em seu comentário sobre o versículo 720 do sétimo livro da Eneida, no qual Virgílio fala do novo sol, diz que, propriamente falando, o sol nasce novo no oitavo dia das Calendas de janeiro, ou seja, em 25 de dezembro. Na época de Leão I (Leão, Serm. XXI, De Nativ. Dom., p. 148), alguns Padres da Igreja disseram que ‘o que tornava a festa (do Natal) venerável era menos o nascimento de Jesus Cristo do que o retorno, e, como eles expressaram, o novo nascimento do sol’.” Foi nesse mesmo dia que se celebrou em Roma o nascimento do Sol Invencível (Natalis solis invicti), como se pode ver nos calendários romanos publicados durante os reinados de Constantino e de Juliano (Hino ao Sol, p. 155). Este epíteto ‘Invictus’ é o mesmo que os persas davam a este mesmo deus, a quem adoravam com o nome de Mitra, e a quem faziam nascer numa gruta (Justin. Dial. cum Trips. p. 305), tal como é representado pelos cristãos como tendo nascido num estábulo, sob o nome de Cristo.
A respeito da Festa Católica da Assunção e seu paralelo na astronomia, o mesmo autor acrescenta: “Ao final de oito meses, quando o deus-sol, tendo aumentado de tamanho, atravessa o oitavo signo, ele absorve a Virgem celestial em seu curso ígneo, e ela desaparece em meio aos raios luminosos e à glória de seu filho. Esse fenômeno, que ocorre todos os anos por volta de meados de agosto, deu origem a uma festa que ainda existe, na qual se supõe que a mãe de Cristo, deixando de lado sua vida terrena, se associa à glória de seu filho e é colocada ao seu lado nos céus. O calendário romano de Columela (Col. 1. II. cap. ii. p. 429) marca a morte ou o desaparecimento de Virgem nesse período. O sol, diz ele, entra em Virgem no décimo terceiro dia antes das calendas de setembro. É aí que os católicos situam a Festa da Assunção, ou a reunião da Virgem com seu Filho. Essa festa era antigamente chamada de Festa da Passagem da Virgem.” Virgem (Beausobre, tomo ip 350); e na Biblioteca dos Padres (Bibl. Part. vol. II. part ii. p. 212) temos um relato da Passagem da Bem-Aventurada Virgem. Os antigos gregos e romanos fixam a Assunção de Astreia, que também é esta mesma Virgem, nesse dia.”
Esta Virgem Mãe, dando à luz o Deus Sol que o Cristianismo preservou tão fielmente, é uma lembrança da inscrição referente à sua prototípica egípcia, Ísis, que aparecia no Templo de Sais: ” O fruto que eu dei à luz é o Sol “.
Embora a Virgem fosse associada à lua pelos primeiros pagãos, não há dúvida de que eles também compreendiam sua posição como uma constelação nos céus, pois quase todos os povos da antiguidade a consideram a mãe do sol, e perceberam que, embora a lua não pudesse ocupar essa posição, o signo de Virgem podia, e de fato o fez, dar à luz o sol de seu lado no dia 25 de dezembro. Alberto Magno afirma: “Sabemos que o signo da Virgem Celestial surgiu no horizonte no momento em que fixamos o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.”
Entre alguns astrônomos árabes e persas, as três estrelas que formam o cinturão de Órion eram chamadas de Magos, que vieram prestar homenagem ao jovem Deus Sol. O autor de ” A Humanidade - Sua Origem e Destino” contribui com a seguinte informação adicional: “Em Câncer, que ascendeu ao meridiano à meia-noite, está a constelação do Estábulo e do Asno. Os antigos a chamavam de Presépio de Jovis. Ao norte, veem-se as estrelas da Ursa Maior, chamadas pelos árabes de Marta e Maria, e também o caixão de Lázaro. Assim, o esoterismo do paganismo foi incorporado ao cristianismo, embora suas chaves estejam perdidas. A igreja cristã segue cegamente os costumes antigos e, quando questionada sobre o motivo, oferece explicações superficiais e insatisfatórias, esquecendo ou ignorando o fato indiscutível de que cada religião se baseia nas doutrinas secretas de sua predecessora.”
OS TRÊS SÓIS.
(Das Previsões Astrológicas de Lilly para 1648, 1649 e 1650.)
A seguinte descrição deste fenômeno aparece em uma carta escrita por Jeremiah Shakerley em Lancashire, em 4 de março de 1648: — “Na segunda-feira, 28 de fevereiro passado, surgiram com o Sol dois Parelii, um de cada lado; sua distância dele era estimada em cerca de dez graus; eles se mantinham à mesma distância do zênite, ou altura acima do horizonte, que o Sol; e das partes opostas ao Sol, pareciam emanar certos raios brilhantes, não muito diferentes daqueles que o Sol envia por trás de uma nuvem, mas mais brilhantes. As partes desses Parelii que estavam voltadas para o Sol eram de uma mistura de cores, onde o verde e o vermelho predominavam. Um pouco acima deles havia um fino arco-íris, mal discernível, de cor brilhante, com a concavidade voltada para o Sol, e suas extremidades parecendo tocar os Parelii: Acima deste, em um ar claro e diáfano, apareceu outro arco-íris conspícuo, embelezado com diversas cores; estava tão perto quanto eu pude discernir.” até o zênite; parecia ter um raio um pouco menor que o outro, estando de costas um para o outro, embora houvesse uma boa distância entre eles. Na hora aparente da lua cheia, ou próximo a ela, desapareceram, deixando grande terror e espanto naqueles que os viram. (Ver William Lilly.)
OS TRÊS SÓIS O globo solar, assim como a natureza humana, foi dividido pelos antigos sábios em três corpos distintos. Segundo os místicos, existem três sóis em cada sistema solar, análogos aos três centros da vida em cada constituição individual. Estes são chamados de três luzes: o sol espiritual, o sol intelectual ou da alma e o sol material (agora simbolizado na Maçonaria por três velas).
O sol espiritual manifesta o poder de Deus Pai; o sol da alma irradia a vida de Deus Filho; e o sol material é o veículo de manifestação de Deus Espírito Santo. A natureza humana foi dividida pelos místicos em três partes distintas: espírito, alma e corpo. Seu corpo físico era desdobrado e vitalizado pelo sol material; sua natureza espiritual era iluminada pelo sol espiritual; e sua natureza intelectual era redimida pela verdadeira luz da graça — o sol da alma. O alinhamento desses três globos celestes foi uma das explicações oferecidas para o fato peculiar de as órbitas dos planetas não serem circulares, mas elípticas.
Os sacerdotes pagãos sempre consideraram o sistema solar como um Grande Homem e traçaram a analogia desses três centros de atividade a partir dos três principais centros da vida no corpo humano: o cérebro, o coração e o sistema reprodutor. A Transfiguração de Jesus descreve três tabernáculos, o maior no centro (o coração) e um menor de cada lado (o cérebro e o sistema reprodutor). É possível que a hipótese filosófica da existência dos três sóis se baseie em um fenômeno natural peculiar que ocorreu muitas vezes na história. No quinquagésimo primeiro ano depois de Cristo, três sóis foram vistos simultaneamente no céu, assim como no sexagésimo sexto ano. No sexagésimo nono ano, dois sóis foram vistos juntos. Segundo William Lilly, entre os anos de 1156 e 1648, vinte ocorrências semelhantes foram registradas.
Reconhecendo o sol como o supremo benfeitor do mundo material, os hermetistas acreditavam que existia um sol espiritual que atendia às necessidades da parte invisível e divina da Natureza — humana e universal.
Sobre esse assunto, o grande Paracelso escreveu: “Há um sol terreno, que é a causa de todo o calor, e todos os que podem ver podem ver o sol; e aqueles que são cegos e não podem vê-lo podem sentir seu calor. Há um Sol Eterno, que é a fonte de toda a sabedoria, e aqueles cujos sentidos espirituais despertaram para a vida verão esse sol e terão consciência de sua existência; mas aqueles que não alcançaram a consciência espiritual ainda podem sentir seu poder por meio de uma faculdade interior chamada Intuição.”
Certos estudiosos rosacruzes atribuíram denominações especiais a essas três fases do sol: o sol espiritual, que chamavam de Vulcano; o sol da alma e o sol intelectual, Cristo e Lúcifer, respectivamente; e o sol material, o Demiúrgo Jeová judaico. Lúcifer aqui representa a mente intelectual sem a iluminação da mente espiritual; portanto, é “a luz falsa”. A luz falsa é finalmente vencida e redimida pela verdadeira luz da alma, chamada de Segundo Logos ou Cristo. Os processos secretos pelos quais o intelecto luciferiano é transmutado no intelecto crístico constituem um dos grandes segredos da alquimia e são simbolizados pelo processo de transmutação de metais comuns em ouro.
No raro tratado Os Símbolos Secretos dos Rosacruzes, Franz Hartmann define o sol alquimicamente como: “O símbolo da Sabedoria. O Centro do Poder ou Coração das coisas. O Sol é um centro de energia e um reservatório de poder. Cada ser vivo contém em si um centro de vida, que pode crescer e se tornar um Sol. No coração do regenerado, o poder divino, estimulado pela Luz do Logos, cresce e se transforma em um Sol que ilumina sua mente.” Em uma nota, o mesmo autor amplia sua descrição, acrescentando: “O sol terrestre é a imagem ou reflexo do sol celestial invisível; o primeiro está no reino do Espírito o que o segundo está no reino da Matéria; mas o segundo recebe seu poder do primeiro.”
Na maioria dos casos, as religiões da antiguidade concordam que o sol visível material era um refletor, e não uma fonte de energia. O sol era, por vezes, representado como um escudo carregado no braço do Deus Sol, como por exemplo, Frey, a divindade solar escandinava. Este sol refletia a luz do sol espiritual invisível, que era a verdadeira fonte de vida, luz e verdade. A natureza física do universo é receptiva; é um reino de efeitos. As causas invisíveis desses efeitos pertencem ao mundo espiritual. Portanto, o mundo espiritual é a esfera da causalidade; o mundo material é a esfera dos efeitos; enquanto o mundo intelectual — ou da alma — é a esfera da mediação.
Assim, Cristo, a personificação do intelecto superior e da natureza da alma, é chamado de “o Mediador” que, em virtude de sua posição e poder, diz: “Ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Assim como o sol é para o sistema solar, o espírito é para o corpo do homem; pois sua natureza, órgãos e funções são como planetas que orbitam a vida central (ou sol) e se alimentam de suas emanações. O poder solar no homem se divide em três partes, que são denominadas o espírito humano tríplice.
Diz-se que essas três naturezas espirituais são radiantes e transcendentes; unidas, formam a Divindade no homem. A natureza tríplice inferior do homem — composta por seu organismo físico, sua natureza emocional e suas faculdades mentais — reflete a luz de sua Divindade tríplice e testemunha dela no mundo físico. Os três corpos do homem são simbolizados por um triângulo ereto; sua natureza espiritual tríplice, por um triângulo invertido.
Esses dois triângulos, quando unidos na forma de uma estrela de seis pontas, eram chamados pelos judeus de “Estrela de Davi”, “Selo de Salomão” e são mais comumente conhecidos hoje como “Estrela de Sião”. Esses triângulos simbolizam os universos espiritual e material interligados na constituição do ser humano, que participa tanto da Natureza quanto da Divindade. A natureza animal do homem participa da terra; sua natureza divina, dos céus; sua natureza humana, da mediação.
OS HABITANTES CELESTIAIS DO SOL Os Rosacruzes e os Illuminati, ao descreverem os anjos, arcanjos e outras criaturas celestiais, declararam que eles se assemelhavam a pequenos sóis, sendo centros de energia radiante rodeados por filamentos de força Vrílica.
Desses filamentos de força deriva a crença popular de que os anjos têm asas.
Essas asas são leques de luz semelhantes a coroas, por meio dos quais as criaturas celestiais se impulsionam através das essências sutis dos mundos suprafísicos.
Os verdadeiros místicos são unânimes em sua negação da teoria de que anjos e arcanjos tenham forma humana, como frequentemente são retratados. Uma figura humana seria completamente inútil nas substâncias etéreas através das quais se manifestam. A ciência debate há muito tempo a probabilidade de outros planos serem habitados. As objeções a essa ideia baseiam-se no argumento de que criaturas com organismos humanos não poderiam existir nos ambientes de Marte, Júpiter, Urano e Netuno. Esse argumento ignora a lei universal da Natureza de adaptação ao ambiente. Os antigos afirmavam que a vida se originou do Sol e que tudo, quando banhado pela luz solar, era capaz de absorver os elementos vitais solares e, posteriormente, irradiá-los como flora e fauna. Uma concepção filosófica considerava o Sol como um progenitor e os planos como embriões ainda conectados ao corpo solar por meio de cordões umbilicais etéreos, que serviam como canais para transmitir vida e nutrição aos planetas.
Algumas ordens secretas ensinavam que o Sol era habitado por uma raça de criaturas com corpos compostos de um éter espiritual radiante, não muito diferente em sua composição da própria esfera brilhante do Sol. O calor solar não tinha efeito nocivo sobre elas, porque seus organismos eram suficientemente refinados e sensíveis para harmonizar com a tremenda taxa vibratória do Sol. Essas criaturas se assemelham a sóis em miniatura, sendo um pouco maiores que um prato de jantar, embora algumas das mais poderosas sejam consideravelmente maiores. Sua cor é a luz branca dourada do Sol, e delas emanam quatro filamentos de Vril. Esses filamentos são frequentemente de grande comprimento e estão em constante movimento.
Uma palpitação peculiar pode ser notada em toda a estrutura do globo e é comunicada na forma de ondulações aos filamentos emanados. A maior e mais luminosa dessas esferas é o Arcanjo Miguel; e toda a ordem da vida solar, que se assemelha a ele e habita o Sol, é chamada pelos cristãos modernos de “arcanjos” ou “espíritos da luz”.
SURYA, O REGENTE DO SOL.
Do panteão hindu de Moor.
Moor descreve esta figura da seguinte forma: “A estátua tem nove polegadas de altura, representando o glorioso deus do dia, Vishnu, com seus atributos, sentado sobre uma serpente de sete cabeças; sua carruagem é puxada por um cavalo de sete cabeças, conduzido por Arun, um deus sem pernas, personificação da aurora, ou Aurora.” (Veja o Panteão Hindu de Moor.)
O SOL NA SIMBOLOGIA ALQUÍMICA O ouro é o metal do sol e tem sido considerado por muitos como luz solar cristalizada. Quando o ouro é mencionado em tratados alquímicos, pode se referir tanto ao próprio metal quanto ao astro celeste que é a fonte, ou espírito, do ouro. O enxofre, devido à sua natureza ígnea, também era associado ao sol.
Como o ouro era o símbolo do espírito e os metais comuns representavam a natureza inferior do homem, certos alquimistas eram chamados de “mineiros” e eram retratados com picaretas e pás cavando a terra em busca do metal precioso — aqueles traços de caráter mais refinados, enterrados na materialidade e ignorância. O diamante oculto no coração do carbono negro ilustrava o mesmo princípio. Os Illuminati usavam uma pérola escondida na concha de uma ostra no fundo do mar para simbolizar os poderes espirituais.
Assim, o buscador da verdade se tornava um pescador de pérolas: ele descia ao mar da ilusão material em busca de compreensão, denominada pelos iniciados de “a Pérola de Grande Valor”.
Quando os alquimistas afirmavam que todas as coisas animadas e inanimadas do universo continham sementes de ouro, queriam dizer que até mesmo os grãos de areia possuíam uma natureza espiritual, pois o ouro era o espírito de todas as coisas. A respeito dessas sementes de ouro espiritual, o seguinte axioma rosacruz é significativo: “Uma semente é inútil e impotente a menos que seja colocada em sua matriz apropriada”. Franz Hartmann comenta esse axioma com estas palavras esclarecedoras: “Uma alma não pode se desenvolver e progredir sem um corpo apropriado, porque é o corpo físico que fornece a matéria para o seu desenvolvimento.” (Veja “No Pronaos do Templo da Sabedoria “.)
O propósito da alquimia não era criar algo do nada, mas sim fertilizar e nutrir a semente que já estava presente. Seus processos não criavam ouro propriamente dito, mas faziam com que a semente do ouro, sempre presente, crescesse e florescesse. Tudo o que existe possui um espírito — a semente da Divindade em si — e a regeneração não é o processo de tentar colocar algo onde antes não existia. Regeneração significa, na verdade, o desdobramento da Divindade onipresente no homem, para que essa Divindade possa brilhar como um sol e iluminar todos com quem entrar em contato.
O SOL DA MEIA-NOITE Apuleio, ao descrever sua iniciação ( vide ante ), disse: “À meia-noite, vi o sol brilhando com uma luz esplêndida”. O sol da meia-noite também fazia parte do mistério da alquimia. Simbolizava o espírito no homem brilhando através da escuridão de seus organismos humanos. Referia-se também ao sol espiritual no sistema solar, que o místico podia ver tanto à meia-noite quanto ao meio-dia, pois a Terra material era impotente para obstruir os raios desse orbe divino. As luzes misteriosas que iluminavam os templos dos Mistérios Egípcios durante as horas noturnas eram consideradas por alguns como reflexos do sol espiritual, captados pelos poderes mágicos dos sacerdotes. A estranha luz vista a dez milhas abaixo da superfície da Terra por EU-SOU-O-HOMEM naquela notável alegoria maçônica, Etidorhpa (Afrodite escrita ao contrário), pode muito bem se referir ao misterioso sol da meia-noite dos antigos ritos.
As concepções primitivas sobre a guerra entre os princípios do Bem e do Mal frequentemente se baseavam na alternância entre o dia e a noite. Durante a Idade Média, as práticas de magia negra se restringiam ao período noturno; e aqueles que serviam ao Espírito do Mal eram chamados de magos negros, enquanto aqueles que serviam ao Espírito do Bem eram chamados de magos brancos. O preto e o branco eram associados, respectivamente, à noite e ao dia, e o conflito incessante entre luz e sombra é mencionado diversas vezes nas mitologias de vários povos.
O demônio egípcio Tifão era simbolizado como parte crocodilo e parte porco, pois esses animais são grosseiros e terrenos tanto na aparência quanto no temperamento. Desde o princípio do mundo, os seres vivos temem a escuridão; as poucas criaturas que a usam como escudo para suas manobras geralmente são associadas ao Espírito do Mal. Consequentemente, gatos, morcegos, sapos e corujas são associados à bruxaria. Em certas partes da Europa, ainda se acredita que, à noite, feiticeiros negros assumem corpos de lobos e vagam destruindo. Dessa crença se originaram as histórias de lobisomens. Serpentes, por viverem na terra, eram associadas ao Espírito das Trevas. Como a batalha entre o Bem e o Mal gira em torno do uso das forças geradoras da Natureza, serpentes aladas representam a regeneração da natureza animal do homem ou daqueles Grandes Seres nos quais essa regeneração é completa. Entre os egípcios, os raios do sol são frequentemente representados terminando em mãos humanas. Os maçons encontrarão uma conexão entre essas mãos e a conhecida Pata do Leão, que dá vida a todas as coisas com seu aperto.
CORES SOLARES A teoria, há muito difundida, de três cores primárias e quatro secundárias é puramente exotérica, pois desde os tempos mais remotos sabe-se que existem sete cores primárias, e não três, sendo o olho humano capaz de distinguir apenas três delas. Assim, embora o verde possa ser obtido pela combinação de azul e amarelo, existe também um verde verdadeiro ou primário que não é uma cor composta. Isso pode ser comprovado decompondo o espectro com um prisma. Helmholtz descobriu que as chamadas cores secundárias do espectro não podiam ser decompostas em suas supostas cores primárias.
Portanto, o laranja do espectro, ao passar por um segundo prisma, não se decompõe em vermelho e amarelo, mas permanece laranja.
Consciência, inteligência e força são simbolizadas de forma apropriada pelas cores azul, amarelo e vermelho. Os efeitos terapêuticos dessas cores, além disso, estão em harmonia com esse conceito, pois o azul é uma cor suave, calmante e elétrica; o amarelo, uma cor vitalizante e refinadora; e o vermelho, uma cor agitadora e que transmite calor. Também foi demonstrado que minerais e plantas afetam a constituição humana de acordo com suas cores. Assim, uma flor amarela geralmente produz um medicamento que afeta a constituição de maneira semelhante à luz amarela ou à nota musical mi. Uma flor laranja influencia de maneira semelhante à luz laranja e, sendo uma das chamadas cores secundárias, corresponde à nota ré ou ao acorde de dó e mi.
Os antigos concebiam o espírito do homem como correspondente à cor azul, a mente ao amarelo e o corpo ao vermelho. O céu é, portanto, azul, a terra amarela e o inferno — ou o submundo — vermelho. A condição ígnea do inferno simboliza meramente a natureza da esfera ou plano de força que o compõe. Nos Mistérios Gregos, a esfera irracional era sempre considerada vermelha, pois representava a condição na qual a consciência é escravizada pelos desejos e paixões da natureza inferior. Na Índia, certos deuses — geralmente atributos de Vishnu — são representados com pele azul para simbolizar sua constituição divina e supramundana. De acordo com a filosofia esotérica, o azul é a verdadeira e sagrada cor do sol. A aparente tonalidade amarelo-alaranjada deste astro resulta da imersão de seus raios nas substâncias do mundo ilusório.
No simbolismo original da Igreja Cristã, as cores eram de suma importância e seu uso era regulamentado por regras cuidadosamente elaboradas. Desde a Idade Média, porém, o descuido com que as cores têm sido empregadas resultou na perda de seus significados emblemáticos mais profundos. Em seu aspecto primário, o branco ou prata significavam vida, pureza, inocência, alegria e luz; o vermelho, o sofrimento e a morte de Cristo e seus santos, bem como o amor divino, o sangue e a guerra ou sofrimento; o azul, a esfera celestial e os estados de piedade e contemplação; o amarelo ou dourado, glória, fertilidade e bondade; o verde, fecundidade, juventude e prosperidade; o violeta, humildade, profunda afeição e tristeza; o preto, morte, destruição e humilhação. Na arte sacra primitiva, as cores das vestes e ornamentos também revelavam se um santo havia sido martirizado, bem como a natureza da obra que ele havia realizado para merecer a canonização.
Além das cores do espectro, existe uma vasta gama de ondas vibratórias de cor, algumas muito fracas e outras muito altas para serem registradas pelo aparelho óptico humano. É assustador contemplar a colossal ignorância do homem a respeito dessas vastidões do espaço abstrato. Assim como no passado o homem explorou continentes desconhecidos, no futuro, munido de curiosos instrumentos criados para esse fim, ele explorará esses recônditos da luz, da cor, do som e da consciência.
A FACE SOLAR.
Da obra Antiguidades de Montfaucon.
A coroa solar é aqui representada na forma da juba de um leão. Esta é uma sutil lembrança de que, em tempos passados, o solstício de verão ocorria no signo de Leão, o Leão Celestial.