Os Ensinamentos Secretos de Todas as Eras
Leitura online de Os Ensinamentos Secretos de Todas as Eras – 16. A Teoria Pitagórica da Música e das Cores16. A Teoria Pitagórica da Música e das Cores
16. A Teoria Pitagórica da Música e das Cores
A HARMONIA é um estado reconhecido pelos grandes filósofos como pré-requisito imediato da beleza. Um composto é considerado belo somente quando suas partes estão em combinação harmoniosa. O mundo é chamado de belo e seu Criador é designado o Bem porque o bem, por necessidade, deve agir em conformidade com sua própria natureza; e o bem agindo de acordo com sua própria natureza é harmonia, porque o bem que realiza é harmonioso com o bem que ele é. A beleza, portanto, é a harmonia manifestando sua própria natureza intrínseca no mundo da forma.
O universo é constituído por sucessivas gradações do bem, ascendendo da matéria (que é o menor grau de bem) ao espírito (que é o maior grau de bem).
No homem, sua natureza superior é o summum bonum. Segue-se, portanto, que sua natureza mais elevada reconhece o bem com maior facilidade, porque o bem externo a ele no mundo está em harmonia com o bem presente em sua alma. O que o homem chama de mal é, portanto, em comum com a matéria, meramente o menor grau de seu próprio oposto. O menor grau de bem pressupõe igualmente o menor grau de harmonia e beleza. Assim, a deformidade (o mal) é, na verdade, a combinação menos harmoniosa de elementos naturalmente harmoniosos como unidades individuais. A deformidade é antinatural, pois, sendo a soma de todas as coisas o Bem, é natural que todas as coisas participem do Bem e estejam organizadas em combinações harmoniosas. A harmonia é a expressão manifesta da Vontade do Bem eterno.
A FILOSOFIA DA MÚSICA É altamente provável que os iniciados gregos tenham adquirido seu conhecimento dos aspectos filosóficos e terapêuticos da música com os egípcios, que, por sua vez, consideravam Hermes o fundador dessa arte.
Segundo uma lenda, esse deus construiu a primeira lira esticando cordas sobre a concavidade de um casco de tartaruga. Tanto Ísis quanto Osíris eram patronos da música e da poesia. Platão, ao descrever a antiguidade dessas artes entre os egípcios, declarou que canções e poesias existiam no Egito há pelo menos dez mil anos, e que eram de natureza tão sublime e inspiradora que somente deuses ou homens divinos poderiam tê-las composto. Nos Mistérios, a lira era considerada o símbolo secreto da constituição humana, o corpo do instrumento representando a forma física, as cordas os nervos e o músico o espírito. Ao tocar os nervos, o espírito criava as harmonias do funcionamento normal, que, no entanto, se transformavam em dissonâncias se a natureza do homem fosse corrompida.
Embora os antigos chineses, hindus, persas, egípcios, israelitas e gregos empregassem música vocal e instrumental em suas cerimônias religiosas, complementando também sua poesia e teatro, coube a Pitágoras elevar a arte à sua verdadeira dignidade, demonstrando seu fundamento matemático.
Apesar de se dizer que ele próprio não era músico, Pitágoras é hoje geralmente reconhecido como o descobridor da escala diatônica. Tendo aprendido a teoria divina da música com os sacerdotes dos diversos Mistérios nos quais fora aceito, Pitágoras ponderou por vários anos sobre as leis que regem a consonância e a dissonância. Como ele de fato resolveu o problema é desconhecido, mas a seguinte explicação foi elaborada.
Certo dia, enquanto meditava sobre o problema da harmonia, Pitágoras passou por acaso por uma oficina de latoeiros onde operários martelavam um pedaço de metal em uma bigorna. Observando as variações de altura entre os sons produzidos por martelos grandes e aqueles produzidos por ferramentas menores, e estimando cuidadosamente as harmonias e dissonâncias resultantes das combinações desses sons, ele obteve sua primeira pista sobre os intervalos musicais da escala diatônica. Entrou na oficina e, após examinar cuidadosamente as ferramentas e memorizar seus pesos, voltou para sua casa e construiu um braço de madeira que se estendia da parede de seu quarto. Em intervalos regulares ao longo desse braço, prendeu quatro cordas, todas de mesma composição, tamanho e peso. À primeira delas, prendeu um peso de doze libras, à segunda, um peso de nove libras, à terceira, um peso de oito libras e à quarta, um peso de seis libras. Esses diferentes pesos correspondiam aos tamanhos dos martelos dos latoeiros.
Pitágoras descobriu então que a primeira e a quarta cordas, quando tocadas juntas, produziam o intervalo harmônico da oitava, pois dobrar a tensão tinha o mesmo efeito que reduzi-la à metade. Como a tensão da primeira corda era o dobro da tensão da quarta, sua proporção era dita ser 2:1, ou dupla. Por meio de experimentos semelhantes, ele constatou que a primeira e a terceira cordas produziam a harmonia do diapente, ou o intervalo da quinta. Como a tensão da primeira corda era metade da tensão da terceira, sua proporção era dita ser 3:2, ou sesquialter. Da mesma forma, a segunda e a quarta cordas, tendo a mesma proporção que a primeira e a terceira, produziam uma harmonia diapente. Continuando sua investigação, Pitágoras descobriu que a primeira e a segunda cordas produziam a harmonia do diatessaron, ou o intervalo da terça; e como a tensão da primeira corda era um terço maior que a da segunda, sua proporção era dita ser 4:3, ou sesquitercian. A terceira e a quarta cordas, tendo a mesma proporção que a primeira e a segunda cordas, produziam outra harmonia do diatessaron. Segundo Jâmblico, a segunda e a terceira cordas tinham a proporção de 8:9, ou epogdoana.
A chave para as proporções harmônicas está escondida na famosa tetratríquia pitagórica, ou pirâmide de pontos. A tetratríquia é composta pelos quatro primeiros números — 1, 2, 3 e 4 — que, em suas proporções, revelam os intervalos da oitava, do diapente e do diatessaron. Embora a lei dos intervalos harmônicos, conforme descrita acima, seja verdadeira, provou-se posteriormente que martelos golpeando metal da maneira descrita não produzem os diversos tons que lhes são atribuídos. Portanto, é muito provável que Pitágoras tenha, na verdade, desenvolvido sua teoria da harmonia a partir do monocórdio — um instrumento composto por uma única corda esticada entre duas cravelhas e com trastes móveis.
Para Pitágoras, a música era uma das dependências da ciência divina da matemática, e suas harmonias eram inflexivelmente controladas por proporções matemáticas. Os pitagóricos afirmavam que a matemática demonstrava o método exato pelo qual o bem estabelecia e mantinha seu universo. O número, portanto, precedia a harmonia, pois era a lei imutável que governava todas as proporções harmônicas. Após descobrir essas proporções harmônicas, Pitágoras gradualmente iniciou seus discípulos nesse que era o supremo arcano de seus Mistérios. Ele dividiu as inúmeras partes da criação em um vasto número de planos ou esferas, a cada um dos quais atribuiu um tom, um intervalo harmônico, um número, um nome, uma cor e uma forma. Em seguida, procedeu à comprovação da exatidão de suas deduções, demonstrando-as nos diferentes planos da inteligência e da substância, desde a premissa lógica mais abstrata até o sólido geométrico mais concreto. A partir da concordância comum desses diversos métodos de prova, ele estabeleceu a existência indiscutível de certas leis naturais.
Na concepção pitagórica da música das esferas, o intervalo entre a Terra e a esfera das estrelas fixas era considerado um diapasão — o intervalo harmônico mais perfeito. A seguinte ordem é geralmente aceita para os intervalos musicais dos planetas entre a Terra e a esfera das estrelas fixas: da esfera da Terra à esfera da Lua, um tom; da esfera da Lua à de Mercúrio, um semitom; de Mercúrio a Vênus, meio tom; de Vênus ao Sol, um tom e meio; do Sol a Marte, um tom; de Marte a Júpiter, um semitom; de Júpiter a Saturno, um semitom; de Saturno às estrelas fixas, um semitom. A soma desses intervalos equivale aos seis tons inteiros da oitava.
Após ter estabelecido a música como uma ciência exata, Pitágoras aplicou sua recém-descoberta lei dos intervalos harmônicos a todos os fenômenos da Natureza, chegando ao ponto de demonstrar a relação harmônica entre os planetas, constelações e elementos. Um exemplo notável de corroboração moderna de antigas descobertas filosóficas é a progressão dos elementos segundo proporções harmônicas. Ao elaborar uma lista dos elementos em ordem crescente de seus pesos atômicos, John A. Newlands descobriu, a cada oitavo elemento, uma repetição distinta de propriedades. Essa descoberta é conhecida na química moderna como a lei das oitavas.
Como defendiam que a harmonia devia ser determinada não pelas percepções sensoriais, mas pela razão e pela matemática, os pitagóricos se autodenominavam canônicos, distinguindo-se dos músicos da Escola Harmônica, que afirmavam que o gosto e o instinto eram os verdadeiros princípios normativos da harmonia. Reconhecendo, contudo, o profundo efeito da música sobre os sentidos e as emoções, Pitágoras não hesitou em influenciar a mente e o corpo com o que chamava de “medicina musical”.
Pitágoras demonstrava uma preferência tão acentuada por instrumentos de corda que chegou a advertir seus discípulos contra a contaminação de seus ouvidos pelos sons de flautas ou címbalos. Declarou ainda que a alma poderia ser purificada de suas influências irracionais por meio de cânticos solenes acompanhados pela lira.
Este setor diagramático representa as principais gradações de energia e substância entre a terra elementar e a força absoluta incondicionada.
Começando pela esfera superior, as quinze esferas graduadas descem na seguinte ordem: Vida Ilimitada e Eterna; o Empíreo superior, o intermediário e o inferior; os sete planetas; e os quatro elementos. A energia é simbolizada por Fludd como uma pirâmide com sua base sobre a superfície côncava do Empíreo superior, e a substância como outra pirâmide com sua base sobre a superfície convexa da esfera (não planeta) da terra. Essas pirâmides demonstram as proporções relativas de energia e substância que compõem os quinze planos do ser. Observe que a pirâmide ascendente da substância toca, mas não penetra, a décima quinta esfera — a da Vida Ilimitada e Eterna. Da mesma forma, a pirâmide descendente da energia toca, mas não penetra, a primeira esfera — a condição mais densa da substância. O plano do sol é denominado esfera da igualdade, pois aqui nem a energia nem a substância predominam. O monocórdio mundano consiste em uma corda hipotética estendida da base da pirâmide de energia até a base da pirâmide de substância.
Em sua investigação sobre o valor terapêutico dos harmônicos, Pitágoras descobriu que os sete modos — ou tonalidades — do sistema musical grego tinham o poder de incitar ou apaziguar diversas emoções. Conta-se que, enquanto observava as estrelas certa noite, encontrou um jovem embriagado e tomado pelo ciúme, que empilhava feixes de lenha na porta da casa de sua amada com a intenção de incendiá-la. O frenesi do rapaz foi acentuado por um flautista que tocava, a poucos metros de distância, uma melodia no vibrante modo frígio. Pitágoras convenceu o músico a mudar sua música para o lento e rítmico modo espondaico, momento em que o jovem embriagado imediatamente se acalmou e, recolhendo seus feixes de lenha, retornou tranquilamente para sua casa.
Há também um relato de como Empédocles, discípulo de Pitágoras, ao mudar rapidamente o modo de uma composição musical que estava tocando, salvou a vida de seu anfitrião, Anchitus, quando este foi ameaçado de morte pela espada de alguém cujo pai ele havia condenado à execução pública. Sabe-se também que Esculápio, o médico grego, curava ciática e outras doenças dos nervos tocando uma trombeta em alto volume na presença do paciente.
Pitágoras curava muitos males do espírito, da alma e do corpo, fazendo com que certas composições musicais especialmente preparadas fossem tocadas na presença do enfermo ou recitando pessoalmente pequenos trechos de poetas antigos como Hesíodo e Homero. Em sua universidade em Crotona, era costume entre os pitagóricos abrir e fechar cada dia com canções: as da manhã, destinadas a despertar a mente do sono e inspirá-la para as atividades do dia seguinte; as da noite, de tom suave, relaxante e propício ao repouso.
No equinócio da primavera, Pitágoras reunia seus discípulos em círculo ao redor de um deles, que os conduzia no canto e tocava a lira para acompanhá-los.
A música terapêutica de Pitágoras é descrita por Jâmblico da seguinte forma: “E existem certas melodias concebidas como remédios contra as paixões da alma, e também contra o desânimo e o lamento, que Pitágoras inventou como elementos que oferecem a maior ajuda nesses males. E, ainda, ele empregou outras melodias contra a raiva e a ira, e contra toda aberração da alma. Há também outro tipo de modulação inventada como remédio contra os desejos.”
(Ver A Vida de Pitágoras.)
É provável que os pitagóricos reconhecessem uma conexão entre os sete modos gregos e os planetas. Como exemplo, Plínio declara que Saturno se move no modo dórico e Júpiter no modo frígio. Também é evidente que os temperamentos estão ligados aos vários modos, e as paixões da mesma forma. Assim, a raiva — que é uma paixão ardente — pode ser acentuada por um modo ígneo ou seu poder neutralizado por um modo aquoso.
O profundo impacto da música na cultura grega é assim resumido por Emil Nauman: “Platão depreciou a noção de que a música se destinava unicamente a criar emoções alegres e agradáveis, sustentando, ao contrário, que ela deveria incutir o amor por tudo o que é nobre e o ódio por tudo o que é vil, e que nada poderia influenciar mais fortemente os sentimentos mais íntimos do homem do que a melodia e o ritmo. Firmemente convicto disso, ele concordou com Damon de Atenas, o instrutor musical de Sócrates, que a introdução de uma nova escala, presumivelmente debilitante, colocaria em risco o futuro de toda uma nação, e que não era possível alterar uma tonalidade sem abalar os próprios alicerces do Estado. Platão afirmou que a música que enobrece a mente é de uma espécie muito superior àquela que apenas apela aos sentidos, e insistiu veementemente que era dever primordial do Legislativo suprimir toda a música de caráter efeminado e lascivo, e encorajar apenas aquela que fosse pura e digna; aquela ousada e inspiradora.”
Melodias eram para homens, suaves e reconfortantes para mulheres. Disso se depreende que a música desempenhou um papel considerável na educação da juventude grega. O máximo cuidado também devia ser tomado na seleção da música instrumental, pois a ausência de palavras tornava seu significado duvidoso, e era difícil prever se exerceria sobre o povo uma influência benéfica ou perniciosa. O gosto popular, sempre aguçado por efeitos sensuais e meretrícios, devia ser tratado com merecido desprezo. (Ver História da Música.)
Ainda hoje, a música marcial é usada com grande eficácia em tempos de guerra, e a música religiosa, embora já não seja desenvolvida de acordo com a teoria antiga, continua a influenciar profundamente as emoções dos leigos.
A MÚSICA DAS ESFERAS A mais sublime, porém menos conhecida, de todas as especulações pitagóricas era a da harmonia sideral. Dizia-se que, de todos os homens, apenas Pitágoras ouvia a música das esferas. Aparentemente, os caldeus foram os primeiros a conceber os corpos celestes unindo-se em um cântico cósmico enquanto se moviam majestosamente pelo céu. Jó descreve um tempo “em que as estrelas da manhã cantavam juntas”, e em O Mercador de Veneza, o autor das peças shakespearianas escreve: “Não há a menor esfera que viste que não cante em seu movimento como um anjo”. Contudo, tão pouco resta do sistema pitagórico de música celestial que só é possível aproximar-se de sua teoria original.
Pitágoras concebeu o universo como um imenso monocórdio, com sua única corda conectada em sua extremidade superior ao espírito absoluto e em sua extremidade inferior à matéria absoluta — em outras palavras, uma corda estendida entre o céu e a terra. Contando de dentro para fora a partir da circunferência dos céus, Pitágoras, segundo algumas fontes, dividiu o universo em nove partes; segundo outras, em doze partes. O sistema dodecafônico era o seguinte: a primeira divisão era chamada de empíreo, ou a esfera das estrelas fixas, e era a morada dos imortais. Da segunda à décima segunda divisões eram (em ordem) as esferas de Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua, e fogo, ar, água e terra. Essa disposição dos sete planetas (o Sol e a Lua sendo considerados planetas na astronomia antiga) é idêntica ao simbolismo do candelabro dos judeus — o Sol no centro como a haste principal com três planetas de cada lado.
Os nomes dados pelos pitagóricos às várias notas da escala diatônica derivavam, segundo Macróbio, de uma estimativa da velocidade e magnitude dos corpos planetários. Acreditava-se que cada uma dessas esferas gigantescas, ao percorrer incessantemente o espaço, emitia um determinado tom causado pelo seu contínuo deslocamento da difusão etérea. Como esses tons eram uma manifestação da ordem e do movimento divinos, era inevitável que compartilhassem da harmonia de sua própria fonte. A afirmação de que os planetas, em suas revoluções ao redor da Terra, emitiam certos sons que diferiam de acordo com sua respectiva ‘magnitude, velocidade e distância local’, era comum entre os gregos. Assim, dizia-se que Saturno, o planeta mais distante, emitia a nota mais grave, enquanto a Lua, a mais próxima, emitia a mais aguda. ‘Esses sons dos sete planetas e da esfera das estrelas fixas, juntamente com o som acima de nós [Antícton], são as nove Musas, e sua sinfonia conjunta é chamada de Mnemosine.’ (Veja O Cânon.) Esta citação contém uma referência obscura à divisão em nove partes do universo mencionada anteriormente.
Neste gráfico, apresenta-se um resumo da teoria da música universal de Fludd. O intervalo entre o elemento terra e o céu mais alto é considerado uma oitava dupla, mostrando assim que os dois extremos da existência estão em harmonia disdiapason. Isso significa que o céu mais alto, o sol e a terra compartilham o mesmo tempo, diferenciando-se apenas pela altura do som.
O sol é a oitava inferior do céu mais alto e a terra, a oitava inferior do sol. A oitava inferior (de Sol maior a Sol maior) compreende a parte do universo na qual a substância predomina sobre a energia. Suas harmonias, portanto, são mais grosseiras do que as da oitava superior (de Sol maior a Sol maior), onde a energia predomina sobre a substância. “Se tocado na parte mais espiritual”, escreve Fludd, “o monocórdio dará vida eterna; se tocado na parte mais material, vida transitória.” Note-se que certos elementos, planetas e esferas celestes mantêm uma relação harmônica entre si; Fludd propôs isso como uma chave para as simpatias e antipatias existentes entre os vários departamentos da Natureza.
Os iniciados gregos também reconheciam uma relação fundamental entre os céus ou esferas individuais dos sete planetas e as sete vogais sagradas. O primeiro céu emitia o som da vogal sagrada Α (Alfa); o segundo céu, a vogal sagrada Ε (Épsilon); o terceiro, Η (Eta); o quarto, Ι (Iota); o quinto, Ο (Ômicron); o sexto, Υ (Úpsilon); e o sétimo céu, a vogal sagrada Ω (Ômega).
Quando esses sete céus cantam juntos, produzem uma harmonia perfeita que ascende como um louvor eterno ao trono do Criador. (Veja Contra as Heresias de Irineu.) Embora não esteja explicitamente declarado, é provável que os céus planetários devam ser considerados como ascendentes na ordem pitagórica, começando com a esfera da Lua, que seria o primeiro céu.
Muitos instrumentos antigos possuíam sete cordas, e geralmente se aceita que Pitágoras foi quem adicionou a oitava corda à lira de Terpandro. As sete cordas sempre foram relacionadas tanto às suas correspondências no corpo humano quanto aos planetas. Os nomes de Deus também eram concebidos como formados a partir de combinações das sete harmonias planetárias. Os egípcios restringiam seus cânticos sagrados aos sete sons primários, proibindo que quaisquer outros fossem proferidos em seus templos. Um de seus hinos continha a seguinte invocação: “Os sete tons sonoros Te louvam, o Grande Deus, o Pai incansável de todo o universo.” Em outro, a Divindade se descreve assim: “Eu sou a grande lira indestrutível de todo o mundo, afinando os cânticos dos céus.” (Veja a História da Música de Nauman.)
Os pitagóricos acreditavam que tudo o que existia tinha uma voz e que todas as criaturas cantavam eternamente o louvor do Criador. O homem não consegue ouvir essas melodias divinas porque sua alma está presa à ilusão da existência material. Quando ele se libertar do cativeiro do mundo inferior com suas limitações sensoriais, a música das esferas voltará a ser audível como era na Idade de Ouro. A harmonia reconhece a harmonia, e quando a alma humana recuperar seu verdadeiro estado, não apenas ouvirá o coro celestial, mas também se unirá a ele em um hino eterno de louvor ao Bem Eterno que controla o número infinito de partes e condições do Ser.
Os Mistérios Gregos incluíam em suas doutrinas um conceito magnífico da relação existente entre música e forma. Os elementos da arquitetura, por exemplo, eram considerados comparáveis a modos e notas musicais, ou como tendo uma contraparte musical. Consequentemente, quando um edifício era erguido combinando vários desses elementos, a estrutura era então comparada a um acorde musical, que era harmônico apenas quando satisfazia plenamente os requisitos matemáticos dos intervalos harmônicos. A percepção dessa analogia entre som e forma levou Goethe a declarar que “a arquitetura é música cristalizada”.
Na construção de seus templos de iniciação, os primeiros sacerdotes frequentemente demonstravam seu conhecimento superior dos princípios subjacentes ao fenômeno conhecido como vibração. Uma parte considerável dos rituais de Mistério consistia em invocações e entoações, para as quais câmaras de som especiais eram construídas. Uma palavra sussurrada em um desses aposentos era tão intensificada que as reverberações faziam todo o edifício oscilar e se encher de um rugido ensurdecedor. A própria madeira e a pedra utilizadas na construção desses edifícios sagrados acabaram tão impregnadas pelas vibrações sonoras das cerimônias religiosas que, ao serem golpeadas, reproduziam os mesmos tons repetidamente impressos em suas substâncias pelos rituais.
Cada elemento na Natureza possui sua nota fundamental individual. Se esses elementos forem combinados em uma estrutura composta, o resultado é um acorde que, se tocado, desintegrará o composto em suas partes integrantes.
Da mesma forma, cada indivíduo possui uma nota fundamental que, se tocada, o destruirá. A alegoria dos muros de Jericó caindo quando as trombetas de Israel soaram visa, sem dúvida, expor o significado arcano da nota fundamental ou vibração individual.
A FILOSOFIA DAS CORES “A luz”, escreve Edwin D. Babbitt, “revela as glórias do mundo exterior e, no entanto, é a mais gloriosa de todas. Ela dá beleza, revela beleza e é ela mesma belíssima. É a analisadora, a reveladora da verdade e a desmascaradora das farsas, pois mostra as coisas como elas são. Seus fluxos infinitos medem o universo e chegam aos nossos telescópios vindos de estrelas que estão a quintilhões de quilômetros de distância. Por outro lado, ela desce a objetos inconcebivelmente pequenos e revela, através do microscópio, objetos cinquenta milhões de vezes menores do que os que podem ser vistos a olho nu. Como todas as outras forças sutis, seu movimento é maravilhosamente suave, porém penetrante e poderoso. Sem sua influência vivificante, a vida vegetal, animal e humana pereceria imediatamente da Terra, e a ruína geral ocorreria. Faríamos bem, então, em considerar este princípio potencial e belo da luz e suas cores componentes, pois quanto mais profundamente penetrarmos em suas leis internas, mais ela se apresentará como um maravilhoso reservatório de poder para vitalizar, curar, refinar e encantar a humanidade.” (Veja Os Princípios da Luz e da Cor.)
Como a luz é a manifestação física fundamental da vida, banhando toda a criação em seu brilho, é de suma importância compreender, ao menos em parte, a natureza sutil dessa substância divina. Aquilo que chamamos de luz é, na verdade, uma frequência de vibração que provoca certas reações no nervo óptico. Poucos percebem como estão limitados pelas restrições da percepção sensorial. Não só existe muito mais na luz do que qualquer pessoa jamais viu, como também existem formas desconhecidas de luz que nenhum equipamento óptico jamais registrará. Há inúmeras cores que não podem ser vistas, assim como sons que não podem ser ouvidos, odores que não podem ser sentidos pelo olfato, sabores que não podem ser degustados e substâncias que não podem ser sentidas pelo tato. O homem está, portanto, cercado por um universo suprassensível do qual nada sabe, porque os centros da percepção sensorial dentro de si não se desenvolveram o suficiente para responder às frequências de vibração mais sutis que compõem esse universo.
Tanto entre povos civilizados quanto selvagens, a cor tem sido aceita como uma linguagem natural para expressar doutrinas religiosas e filosóficas. A antiga cidade de Ecbátana, descrita por Heródoto, com suas sete muralhas coloridas de acordo com os sete planetas, revelava o conhecimento desse assunto que os magos persas possuíam. O famoso zikkurat, ou torre astronômica do deus Nebo em Borsippa, elevava-se em sete grandes degraus ou estágios, cada degrau pintado com a cor principal de um dos corpos celestes. (Veja Magia Caldeia de Lenormant.)
A TEORIA DA MÚSICA ELEMENTAR.
From Fludd’s De Musica Mundana.
Neste diagrama, são novamente utilizadas duas pirâmides interpenetrantes, uma representando o fogo e a outra a terra. Demonstra-se, de acordo com a lei da harmonia elementar, que o fogo não entra na composição da terra, nem a terra na composição do fogo. As figuras no gráfico revelam as relações harmônicas existentes entre os quatro elementos primários, segundo Fludd e os pitagóricos. A terra consiste em quatro partes de sua própria natureza; a água, em três partes de terra e uma parte de fogo. A esfera da igualdade é um ponto hipotético onde há um equilíbrio de duas partes de terra e duas partes de fogo. O ar é composto por três partes de fogo e uma parte de terra; o fogo, por quatro partes de sua própria natureza. Assim, a terra e a água mantêm entre si a proporção de 4 para 3, ou a harmonia diatessaron, e a água e a esfera da igualdade, a proporção de 3 para 2, ou a harmonia diapente. O fogo e o ar também apresentam entre si a proporção de 4 para 3, ou a harmonia diatessaron, e o ar e a esfera da igualdade a proporção de 3 para 2, ou a harmonia diapente. Como a soma de um diatessaron e um diapente é igual a um diapasão, ou oitava, é evidente que tanto a esfera do fogo quanto a esfera da terra estão em harmonia diapason com a esfera da igualdade, e também que o fogo e a terra estão em harmonia disdiapason entre si.
É evidente, portanto, que os babilônios estavam familiarizados com o conceito do espectro em sua relação com os sete Deuses ou Poderes Criadores. Na Índia, um dos imperadores mogóis mandou construir uma fonte com sete níveis. A água que escorria pelas laterais através de canais especialmente dispostos mudava de cor à medida que descia, passando sequencialmente por todos os tons do espectro. No Tibete, a cor é empregada pelos artistas nativos para expressar diversos estados de espírito. L. Austine Waddell, escrevendo sobre a arte budista do norte, observa que na mitologia tibetana “as tez branca e amarela geralmente tipificam estados de espírito amenos, enquanto o vermelho, o azul e o preto pertencem a formas ferozes, embora às vezes o azul claro, por indicar o céu, signifique meramente celestial. Geralmente, os deuses são representados em branco, os duendes em vermelho e os demônios em preto, como seus parentes europeus.” (Veja O Budismo do Tibete.)
Em Mênon, Platão, falando por meio de Sócrates, descreve a cor como “uma efluência da forma, compatível com a visão e sensível”. Em Teeteto, ele discorre mais longamente sobre o assunto da seguinte forma: “Vamos aplicar o princípio que acabamos de afirmar, de que nada é autoexistente, e então veremos que cada cor, branca, preta e todas as outras, surge do encontro do olho com o movimento apropriado, e que o que chamamos de substância de cada cor não é o elemento ativo nem o passivo, mas algo que transita entre eles e é peculiar a cada observador; você tem certeza de que as diversas cores aparecem para cada animal — digamos, um cachorro — da mesma forma que aparecem para você?”
Na tetractys pitagórica — o símbolo supremo das forças e processos universais — estão expostas as teorias dos gregos sobre cor e música. Os três primeiros pontos representam a Luz Branca tríplice, que é a Divindade contendo potencialmente todo som e cor. Os sete pontos restantes são as cores do espectro e as notas da escala musical. As cores e os tons são os poderes criativos ativos que, emanando da Causa Primeira, estabelecem o universo. Os sete pontos são divididos em dois grupos: um contendo três poderes e o outro quatro, uma relação também demonstrada na tetractys. O grupo superior — o de três — torna-se a natureza espiritual do universo criado; o grupo inferior — o de quatro — manifesta-se como a esfera irracional, ou mundo inferior.
Nos Mistérios, os sete Logi, ou Senhores Criadores, são representados como fluxos de força emanando da boca do Eterno. Isso simboliza o espectro sendo extraído da luz branca da Divindade Suprema. Os sete Criadores, ou Fabricantes, das esferas inferiores eram chamados pelos judeus de Elohim.
Pelos egípcios, eram referidos como os Construtores (às vezes como os Governadores ) e são representados com grandes facas nas mãos, com as quais esculpiram o universo a partir de sua substância primordial. A adoração dos planetas baseia-se em sua aceitação como as encarnações cósmicas dos sete atributos criadores de Deus. Os Senhores dos planetas eram descritos como habitando o corpo do Sol, pois a verdadeira natureza do Sol, sendo análoga à luz branca, contém as sementes de todas as potências de tom e cor que ele manifesta.
Existem inúmeras configurações arbitrárias que estabelecem as relações mútuas entre os planetas, as cores e as notas musicais. O sistema mais satisfatório é aquele baseado na lei da oitava. O sentido da audição tem um alcance muito maior do que o da visão, pois enquanto o ouvido pode registrar de nove a onze oitavas de som, o olho se restringe à percepção de apenas sete tons de cor fundamentais, ou seja, um tom a menos que a oitava. O vermelho, quando considerado o tom de cor mais grave na escala cromática, corresponde, portanto, a dó, a primeira nota da escala musical. Continuando a analogia, o laranja corresponde a ré, o amarelo a mi, o verde a fá, o azul a sol, o anil a lá e o violeta a si ( si ). O oitavo tom de cor necessário para completar a escala seria a oitava superior do vermelho, o primeiro tom de cor. A precisão do arranjo acima é atestada por dois fatos impressionantes: (1) as três notas fundamentais da escala musical - a primeira, a terceira e a quinta - correspondem às três cores primárias - vermelho, amarelo e azul; (2) a sétima nota, e menos perfeita, da escala musical corresponde ao roxo, o tom menos perfeito da escala de cores.
Em Os Princípios da Luz e da Cor, Edwin D. Babbitt confirma a correspondência entre as escalas de cores e as escalas musicais: “Assim como o Dó está na parte inferior da escala musical e é formado pelas ondas de ar mais grosseiras, o vermelho está na parte inferior da escala cromática e é formado pelas ondas de éter luminoso mais grosseiras. Assim como a nota musical Si [a sétima nota da escala] requer 45 vibrações de ar a cada vez que a nota Dó, na extremidade inferior da escala, requer 24, ou pouco mais da metade, o violeta extremo requer cerca de 300 trilhões de vibrações de éter por segundo, enquanto o vermelho extremo requer apenas cerca de 450 trilhões, que também são pouco mais da metade. Quando uma oitava musical termina, outra começa e progride com exatamente o dobro de vibrações usadas na primeira oitava, e assim as mesmas notas se repetem em uma escala mais fina. Da mesma forma, quando a escala de cores visíveis ao olho comum se completa no violeta, outra oitava de cores invisíveis mais finas, com exatamente o dobro, começa. tantas vibrações começarão e progredirão exatamente segundo a mesma lei.”
Quando as cores são relacionadas aos doze signos do zodíaco, elas são dispostas como os raios de uma roda. A Áries é atribuído o vermelho puro; a Touro, o vermelho-alaranjado; a Gêmeos, o laranja puro; a Câncer, o amarelo-alaranjado; a Leão, o amarelo puro; a Virgem, o verde-amarelado; a Libra, o verde puro; a Escorpião, o verde-azulado; a Sagitário, o azul puro; a Capricórnio, o azul-violeta; a Aquário, o violeta puro; e a Peixes, o vermelho-violeta.
Ao expor o sistema oriental de filosofia esotérica, H. P. Blavatsky relaciona as cores à constituição septenária do homem e aos sete estados da matéria da seguinte maneira: | COR | PRINCÍPIOS DO HOMEM | ESTADOS DA MATÉRIA | | -------- | ---------------------------------------------- | ------------------------- | | Violeta | Chaya, ou Duplo Etérico | Éter | | Índigo | Manas Superior, ou Inteligência Espiritual | Estado crítico chamado Ar | | Azul | Envelope Áurico | Vapor ou vapor | | Verde | Manas Inferior, ou Alma Animal | Estado Crítico | | Amarelo | Buddhi, ou Alma Espiritual | Água | | Laranja | Prana, ou princípio vital. | Estado Crítico | | Vermelho | Kama Rupa, ou Assento da Vida Animal | Gelo | OS QUATRO ELEMENTOS E SEUS INTERVALOS CONSONANTAIS.
From Fludd’s De Musica Mundana.
Neste diagrama, Fludd dividiu cada um dos quatro elementos primários em três subdivisões. A primeira divisão de cada elemento é a mais grosseira, contendo alguma substância diretamente inferior a si (exceto no caso da terra, que não possui um estado inferior a si). A segunda divisão consiste no elemento em seu estado relativamente puro, enquanto a terceira divisão é a condição na qual o elemento contém alguma substância imediatamente superior a si. Por exemplo, a divisão mais baixa do elemento água é a sedimentar, pois contém substância terrosa em solução; a segunda divisão representa a água em seu estado mais comum – salgada – como no caso do oceano; e a terceira divisão é a água em seu estado mais puro – livre de sal. O intervalo harmônico atribuído à divisão mais baixa de cada elemento é um tom, à divisão intermediária também um tom, mas à divisão superior um semitom, porque ela contém a substância imediatamente acima dela. Fludd enfatiza o fato de que, à medida que os elementos ascendem em séries de dois tons e meio, o diatessaron é o intervalo harmônico dominante dos elementos.
Essa disposição das cores do espectro e das notas musicais da oitava exige um agrupamento diferente dos planetas para preservar suas analogias adequadas de tom e cor. Assim, dó torna-se Marte; ré, o Sol; mi, Mercúrio; fá, Saturno; sol, Júpiter; lá, Vênus; si ( ti ), a Lua. (Veja as Instruções ES.)